O Diário Oficial do Município desta sexta-feira (27/03) publica a Portaria Nº 09/2020, assinada pelo secretário municipal de Transporte e Trânsito, Antônio Clóvis Pinto Ferraz (Coca Ferraz), autoridade de trânsito do município de São Carlos, suspendendo no período de 27 de março a 30 de abril de 2020 a fiscalização por meio dos três radares móveis.

Em dias de poucas certezas, paramos para pensar e refletir em tudo o que estamos vivendo. O quanto o mundo está estranho e doente. O quanto o silêncio modificou nossas rotinas, nos obrigando a criar adaptações diárias para suprir a saudade de quem está longe e trabalhar, sem neuroses, diante da perda de nossos referenciais. 
 
Nesse cenário de abdicação e deslocamentos emocionais, heróis modernos ganham destaque: são os profissionais da saúde que lutam contra um vírus invisível,  constatando o que já sabíamos há tempos: estamos inseridos em uma sociedade frágil,  desestruturada e desigual. 
 
A lista destes profissionais da linha de frente é  grande. Médicos, enfermeiros , técnicos,  psicólogos, assistentes sociais, fisioterapeutas, maqueiros,  motoristas das ambulâncias, equipes de higienização e desinfecção,  entre tantos outros. Cuidadores que já sentem os prejuízos causados pelo combate à pandemia. 
 
O inesperado alterou todas as rotinas. A carga horária, em muitos casos, está bem maior que a habitual. O diálogo entre esses profissionais gira em torno de apenas um tema: O Covid 19. Lazer e confraternização com a família ou amigos ficou no passado ou na memória.  Uma memória saudosista  da liberdade confiscada pelo isolamento social. 
 
Um verdadeiro desafio que pode levar a uma saturação mental. Estão na linha de frente e fazem o elo entre os familiares dos pacientes e os serviços de saúde. Convivem com a dor ao presenciar os desfalques no time, perdendo companheiros de trabalho para um vírus cruel.
 
São acometidos por uma absurda carga emocional, que mistura ingredientes diversos: o medo de se infectar, o medo de contaminar parentes, o luto pela perda dos amigos de trabalho,  a frustração e sensação de impotência quando perdem um paciente para o Coronavirus, além do esgotamento pelo excesso de atividades. Angústia, medo, insegurança e a solidão do afastamento do "eu".
 
Dores que surgem em meio às dúvidas geradas pelo evento adverso. Suscetíveis ao desenvolvimento ou agravamento de uma Síndrome de Burnout que engloba a sensação de esgotamento, a perda do sentido de realização profissional e o distanciamento emocional. Fatores estressores e decisivos na urgência dos traumas psicológicos. 
 
Nossos profissionais de saúde estão expostos ao desequilíbrio mental, uma vez que evidenciamos o aumento nos sintomas de ansiedade, perda da qualidade do sono,  depressão,  estresse, e tantos outros sintomas psicossomáticos.  Apreensivos, encaram a luta e a pressão.  
 
Sim, estamos com a vida por um fio. Esse desafio compreende a todos.  Precisamos entender os nossos limites, olhar para o momento, dando a ele um sentido mais otimista e esperançoso. Não  podemos fazer tudo por todo mundo. Mas se começar por nós, já será um excelente passo. O profissional precisa estar consciente que, para cuidar do outro, precisa desenvolver recursos e estratégias que o fortaleçam mental e fisicamente. Garantir horas suficientes de sono, buscar descansar entre os atendimentos ou plantões.  Manter uma alimentação qualificada e saudável. Bem como reduzir o isolamento, utilizando de forma otimizada as tecnologias de comunicação para permanecer conectado aos familiares e a pessoas queridas. Essas são algumas dicas que podem contribuir para preservar a saúde mental durante a pandemia. 
 
O mais importante é buscar, no meio do caos, refúgios mentais que tragam a sensação de prazer para a mente. Afinal, não há dúvidas que o mundo será outro após o Covid-19. Nós também seremos. Por isso, cuidar de quem cuida é um legado que devemos levar para a eternidade. Afinal, o momento passará e, certamente,  terá o sentido que dermos a ele. O profissional da saúde quer dar sempre o seu melhor, mas o seu melhor é também estar bem consigo - cuidando do seu bem estar físico e emocional para que possa exercer a profissão com excelência e sem prejuízos.  
 
Dra Andrea Ladislau 
Psicanalista
 
* Doutora em Psicanálise
 
* Membro da Academia Fluminense de Letras - cadeira de numero 15 de
Ciências Sociais
 
* Administradora Hospitalar e Gestão em Saúde
 
* Pós Graduada em Psicopedagogia e Inclusão Social
 
* Professora na Graduação em Psicanálise
 
* Embaixadora e Diplomata In The World Academy of Human Sciences US
Ambassador In Niterói
 
* Membro do Conselho de Comissão de Ética e Acompanhamento
Profissional do Instituto Miesperanza
 
* Professora Associada no Instituto Universitário de Pesquisa em
Psicanálise da Universidade Católica de Sanctae Mariae do Congo.
 
* Professora Associada do Departamento de Psicanálise du Saint
Peter and Saint Paul Lutheran Institute au Canada, situado em souhaites.


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