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Você que é de São Carlos e que conviveu por anos com uma obra que durante muito tempo foi motivo de chacota na entrada da cidade, o Ginásio Milton Olaio, deve estar pensando. "O colunista está louco porque o título de hoje fala do Hospital Escola e não do Milton Olaio".

É, mas as duas obras têm algo em comum sabia? E sabe o que é? É a vergonha que elas nos trazem por gastar tanto dinheiro público e demorarem tanto para sair do papel.

O Milton Olaio antes de ser realmente um ginásio e servir à comunidade foi  hotel de drogados e prostitutas, cabide eleitoral em diversos pleitos e cartão negativo de visita horroroso na entrada da cidade e que, por muito tempo serviu de piada como o grande elefante branco de São Carlos.

O tempo passou e por incrível que pareça os meridianos da cidade guardam em suas pontas tal coincidência pois, do outro lado esta a maior obra da historia que quando criada trouxe em seu discurso, que São Carlos daria um salto rumo à modernidade na área da saúde. Além de que, o HE iria desafogar a Santa Casa tão lotada de pacientes das seis cidades da região e de São Carlos.

Isto porque, se de um lado o Hospital Escola seria a grande referência regional no atendimento primário (Pronto Socorro), secundário (Especialidades) e terciário (Cirurgias e Internações); do outro serviria como grande instrumento de capacitação profissional dos alunos do curso de medicina da UFSCar na especialidade de médicos generalistas, ou seja, àqueles que fazem o atendimento junto às camadas mais pobres do país num projeto de saúde criado pelo governo Lula.

É, mas a história escreve suas verdades e aquele local que já fora um frigorífico no passado e que também abrigou várias famílias que ali moravam sem autorização, não conseguiu decolar para o que veio, ou seja, o HE até hoje segue os mesmos passos resguardadas as diferenças dos problemas ocorridos com o ginásio Milton Olaio, ou seja, enorme demora para ficar pronto.

E se você usar a história como mãe de todas as verdades verá que quando Lula esteve aqui e cimentou a pedra fundamental do HE, no primeiro mandato de Newton Lima, cimentava também sem saber várias pedras no sapato desta obra que estariam por vir. A principal delas a rixa política entre PT e PSDB.

Como todos sabem o governo federal é do PT e agora a cidade esta na mão do PSDB, então as verbas que jorravam nas administrações petistas agora já não jorram mais e o governo do estado também não sinaliza, já que sua política é investir nos seus hospitais de referencia em grandes centros e encher os coitados dos municípios de "ambulancinhas" para fazer a política do "taxismo" espúrio, para que os pobres fiquem de pires na mão esperando suas transferências pelas rodovias do estado.

Quem já não viu numa viagem à capital ou Ribeirão Preto, uma ambulância doada pelo governo do estado levando pacientes para os hospitais de referencia do estado, com o logo "Doada pelo governo do estado". Sou contra, acho que a política certa seria fortalecer os hospitais das cidades ao invés de fazer essas doações para utilizá-las como ferramenta política na hora do voto.

Bom, mas ainda sobre o HE, além de tudo isso a obra se encontra na segunda fase de execução e faz tempo que isso não anda, ou seja, para que ela seja concluída ainda faltam os acabamentos, os equipamentos que custam uma fortuna, funcionários, médicos e principalmente a decisão do governante do que fazer com tudo isso.

Ou seja, o que Paulo Altomani fará quando tiver o segundo módulo pronto com quartos e equipamentos caríssimos. Como fará para ter funcionários e médicos especializados para tocar este equipamento de saúde tão caro que saiu do imposto que você paga? Aliás, haverá concurso publico para ocupar estas funções ou será passado também para um plano de saúde a exemplo do que aconteceu com a Santa Casa.

Altomani escolherá a mesma decisão de Newton Lima, ou seja, dará a coordenação e operação para uma OPEC qualquer do país? Ou dará para a empresa do governo federal que é do PT e que realiza a gestão de alguns hospitais no país? Ou mais ainda, dará ao governo do estado a chance de gerenciar isso e transformar o HE num hospital de referência criando um problema junto a DIR 7 de Araraquara?

E o que vai acontecer com a obra? Ela passará pela comissão tripartite da DIR 7 de Araraquara para que São Carlos possa reivindicar ser uma região administrativa da área de saúde, para receber recursos do SUS nos serviços que o HE implementará e realizará? Lembram do parto que foi para o credenciamento da Santa Casa junto ao SUS para receber as tão faladas cirurgias de coração?

O HE a exemplo do Milton Olaio já foi utilizado como instrumento de campanha do PT como a solução dos problemas de saúde da cidade e, como uma obra que não sai do papel pelos oposicionistas, inclusive o atual prefeito se ancorou muito em fazer oposição nas campanhas políticas ao HE.

Mas a vida da volta e hoje Altomani esta com HE nas mãos e, até agora o que vemos? Somente atitudes voltadas ao tempo do "capanguismo" de coronéis que assolaram esta cidade em décadas passadas e discursos que não encontram guarida para que o HE passe a fazer o que deve, ou seja, prestar serviço à população e a UFSCar.

O pobre, coitado do pobre, esse é o grande marginalizado que fica a mercê dessa briguinha política sórdida de interesses umbilicais entre PT e PSDB. Por isso, que renovo em minhas letras que a cidade precisa de novas lideranças, de pessoas que venham fazer o que deve ser feito; que não sejam arrogantes, individualistas e que se utilizem de seus cargos para fazer o que é de sua atribuição, ou seja, servir a população pobre que paga impostos e sofre com este descaso.

O HE tem a cor branca, mas esperemos que ele não vire um grande elefante branco. A população de São Carlos agradece.

Marco Aurélio de Alcântara Dias é colaborador do portal SCDN



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