NESTA SEXTA-FEIRA (21/09) OS RADARES MÓVEIS ESTARÃO NAS SEGUINTES VIAS: 

RADAR 1 - RUA MANOEL JOSÉ SERPA (BAIRRO/CENTRO) - VELOCIDADE MÁXIMA PERMITIDA DE 40 KM/H; 

RADAR 2 – AV. JOÃO DE GUZZI X RUA MARCOS VINICIUS DE M. MORAES - VELOCIDADE MÁXIMA PERMITIDA DE 60 KM/H; 

RADAR 3 – RUA MIGUEL PETRONI (RODOVIA/CENTRO) – VELOCIDADE MÁXIMA PERMITIDA DE 60 KM/H.

 

Duas Terras Indígenas - Arara da Volta Grande e Paquiçamba - e centenas de famílias ribeirinhas estão organizadas ao longo de um trecho de cerca de 100 km às margens do Rio Xingu. É a chamada Volta Grande do Xingu, no Estado do Pará, cenário de desenvolvimento dessas comunidades e de luta frente às ameaças de grandes empreendimentos.

Anualmente, os moradores e seus apoiadores se organizam para a realização da Canoada do Xingu que, este ano, também contou com a participação da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). O programa de extensão universitária "Gestão e promoção para atividades na natureza e áreas protegidas" foi convidado a colaborar com ações de capacitação e gestão na Canoada Xingu 2018, realizada de 3 a 9 de setembro.

"A Volta Grande do Xingu é uma região muito singular do ponto de vista ecológico, o que inclui seus habitantes tradicionais e seus modos de vidas atrelados ao Rio. Preservar isso, além de ser um imperativo ético e justo, é uma necessidade para vislumbrar um futuro no qual a Amazônia sobreviva e, evidentemente, o Planeta, que depende dela", destaca Victor Lopez-Richard, professor do Departamento de Física (DF) da UFSCar, que coordena o programa de extensão. Para ele, o principal desafio dessas famílias, neste momento, é que o Rio Xingu não morra na Volta Grande e, com ele, os modos de vida que não se sustentam sem o Rio. "Também é importante que a voz desses povos seja escutada, que a história do que aconteceu não seja esquecida e que a vergonha do que ainda acontece não seja acobertada", defende ele.

A região, relata o professor, continua a ser palco de uma luta muito desigual pela preservação da natureza e pela dignidade dos povos. "E essa luta se carrega nos ombros das comunidades tradicionais que vêm sofrendo sérias ameaças de grandes empreendimentos. Assim, toda parceria com as universidades, visando ao empoderamento [dessas comunidades] e à ajuda no monitoramento de impactos da redução do fluxo de água, além de divulgar e debater o que está ainda acontecendo por lá, é muito importante", acredita Lopez-Richard.

É nesse contexto que a Canoada do Xingu - realizada a remo ao longo dos 110 km entre o município de Altamira (PA) e a Cachoeira do Jericoá - serve para aproximar os participantes dos modos de vida tradicionais da Volta Grande e sensibilizá-los sobre as mudanças provocadas por grandes empreendimentos na região. "Além de apresentar o Xingu, a Canoada abre espaços para o debate sobre os impactos nos modos de vida e ambientes do Rio, promovendo alianças entre a comunidade científica, formadores de opinião e as populações locais", afirma o pesquisador. Nesta quinta edição da Canoada Xingu, foram 54 participantes e um total de 107 pessoas, incluindo os guias locais e as equipes de apoio. Professores de várias universidades e áreas do conhecimento, advogados, fotógrafos, jornalistas, membros do Ministério Público Federal, entre outros, integraram as equipes de remadores, que estiveram distribuídas em 15 canoas. "Todos nós, sem dúvida, saímos profundamente transformados após essa experiência", afirma o professor da UFSCar.

O programa "Gestão e promoção para atividades na natureza e áreas protegidas" da UFSCar tem como uma de suas propostas reunir iniciativas e projetos de capacitação, promoção e divulgação de técnicas, conhecimentos e competências na gestão de atividades na natureza tais como a visitação e uso público de Unidades de Conservação, práticas de montanhismo, ecoturismo e esportes de aventura. "Nosso programa já tem um histórico de execução de cursos sobre competências mínimas para condutores ambientais e gestão de roteiros de ecoturismo e turismo de aventura e estamos adaptando esses cursos para os modos e práticas das comunidades tradicionais da Volta Grande", indica Lopez-Richard. 

A parceria da Canoada com a UFSCar teve início em 2017, a convite da Associação Yudja Mïratu da Volta Grande do Xingu (Aymix) e do Instituto Socioambiental (ISA), ocasião em que congregaram professores e especialistas de várias áreas do conhecimento para discutir os impactos na região da Volta Grande do Xingu e debater alternativas para as comunidades afetadas.

"O convite neste ano é um desdobramento da nossa participação em 2017, concretizando um apoio mais direto à organização da Canoada e dando início a um projeto mais sistemático de avaliação de potencialidades para a visitação e o turismo na região e sua operacionalização pelas comunidades indígenas", relata Lopez-Richard. Dessa forma, o programa da UFSCar participará da discussão, avaliação e fomento às ações de visitação na Volta Grande pelos próximos dois anos.

Sobre o programa
Além de Victor Lopez-Richard na coordenação, o programa de extensão "Gestão e promoção de atividades na natureza e áreas protegidas" envolve também os professores Heros Augusto Santos Lobo, do Departamento de Geografia, Turismo e Humanidades do Campus Sorocaba (DGTH-So); Mey de Abreu Van Munster, do Departamento de Educação Física e Motricidade Humana (DEFMH); e Vandoir Bourscheidt, do Departamento de Ciências Ambientais (DCAm).

O programa existe desde 2017, mas as atividades atreladas a ele começaram em 2003 com o Projeto "Vivência em Escalada" - coordenado inicialmente pelos professores Luiz Gonçalves Jr. e Mey Van Munster, ambos do DEFMH - em parceria com o Centro Universitário de Montanhismo e Excursionismo (Cume), do qual o professor Lopez-Richard faz parte. "Essa atividade se tornou posteriormente 'Vivência em Montanhismo', já coordenada por mim, e a partir dela surgiram novas propostas: a capacitação e treinamento para gestão de Unidades de Conservação e áreas protegidas e o Encontro de Montanhismo e Excursionismo de São Carlos (Emesc), já com quatro edições", descreve o coordenador do programa.

Outro foco do programa  é gerar subsídios a políticas públicas tais como instrumentos normativos e técnicos para a gestão de uso e visitação em áreas protegidas e na formatação de cursos de capacitação. "A comunhão de expertises acadêmicas e competências técnicas na UFSCar, na gestão de segurança e impactos, geotecnologias, esportes e turismo, é alicerce fundamental do programa", afirma o docente.

Sobre a Canoada
A Canoada Xingu é uma ação realizada pela Aymix e pelo ISA desde o ano de 2014. Consolidou-se como uma atividade que dá visibilidade à Volta Grande e suas populações; que ajuda a construir parcerias entre os os povos indígenas, ribeirinhos e apoiadores de todo tipo, ao mesmo tempo que garante um registro periódico das transformações provocadas pela Usina Hidrelétrica de Belo Monte. Mais informações em https://aymix.org/canoada.



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