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Uma fórmula capaz de prever a futura demanda por transporte coletivo em cidades de médio porte é apresentada pelo economista Dercio Terrabuio, em pesquisa da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da USP.

O aumento ou diminuição da população, a taxa de motorização da cidade e o PIB per capta são as variáveis presentes na fórmula, escolhidas por se apresentarem como as que explicam melhor o aumento ou diminuição da busca por transporte coletivo. O método pode auxiliar prefeituras e empresas de ônibus com a necessidade de melhora do transporte público.

Para chegar à fórmula, o economista utilizou o programa Excel, da Microsoft. Nele, trabalhou com os valores das variáveis dependentes e variáveis independentes, a partir da técnica chamada “regressão linear múltipla”.

A demanda por transporte coletivo, por exemplo, é a variável dependente, ou seja, ela pode ser explicada a partir de outras variáveis. Essas outras, são as independentes. “Por meio da técnica de regressão, conseguimos selecionar as três variáveis que melhor explicam o aumento ou diminuição da demanda”, constata o autor.

Segundo os resultados dessas “tentativas de erros e acertos” do Excel, como apelidou o processo de desenvolvimento da fórmula, Terrabuio constatou que o número de habitantes na cidade é o fator que mais está relacionado com o aumento ou a diminuição da utilização de transporte coletivo.

O pesquisador observa que na verdade, esse fator está “embutido” tanto no PIB per capta quanto na taxa de motorização. “Isso significa que para descobrir o valor das duas outras variáveis que explicam melhor a demanda por transporte, preciso do número de pessoas na cidade”, esclarece.

Ônibus mais caro
Ao contrário do que muitos acreditam, segundo a pesquisa, o aumento da tarifa do ônibus não pode ser visto como algo que de fato vá causar a diminuição da utilização do transporte, considerando o espaço amostral das cidades estudadas na pesquisa.

“Em São Carlos, por exemplo, a passagem aumentou e o número de pessoas que andam de ônibus não diminuiu”. “Assim como o aumento do preço, o número de dias úteis em um ano, que depende de cidade para cidade, também não é uma variável tão significativa para a alteração da demanda”, acrescenta o pesquisador.

Considerando que as cidades de médio porte são as que mais utilizam o transporte coletivo, é possível pensar no interesse maior das empresas de ônibus de trabalharem justamente nessas cidades, uma vez que lá há um maior número de usuários.

“Nesse momento, fica evidente a importância do planejamento em busca de um equilíbrio entre as necessidades dos moradores e das empresas, pois enquanto os usuários desejam não pagar ou pagar o mínimo possível, com horários em abundância e sempre se manterem sentados, as empresas buscam reduzir gastos e fazem compensação entre os horários que os ônibus andam com poucas pessoas, e os horários de pico em que permitem lotação dos veículos transportando pessoas em pé e sem qualquer conforto”, conclui Terrabuio.

Segundo Terrabuio, que defendeu sua dissertação de mestrado na Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da USP, pelo Departamento de Engenharia de Trânsito, a utilização de qualquer tipo de transporte é uma necessidade secundária, ou seja, relacionada à outras necessidades.

“Se você trabalha ou estuda longe de casa, à uma distância que é inviável se locomover à pé, precisa recorrer a algum tipo de transporte”, explica o pesquisador.

Para escolherem qual tipo de transporte utilizar, as pessoas levam em conta, principalmente, os fatores sócio-econômicos. “Com pouquíssimo recurso, ou desempregadas, as pessoas comumente andam a pé. Diferente do empregado, que pode ter o benefício do vale-transporte, tendo condição, pelo menos, de andar de ônibus. Se a renda melhora, as pessoas buscam mais comodidade e conforto, recorrendo aos transportes individuais, como motos ou carros.

As motos, por serem mais baratas, têm se tornado uma alternativa ao transporte coletivo, completa o autor do estudo.

De acordo com as análises do economista, são as cidades médias as que mais utilizam o transporte coletivo. Ficou evidente em seu trabalho, para os locais estudados, que “quanto menor e quanto maior a cidade, o transporte coletivo é proporcionalmente menos usado”.

Segundo o pesquisador, para as cidades pequenas, isso seja provavelmente influência de hábitos e cultura, já que as distâncias são menores e não há custo aparente para o deslocamento a pé. “Já nas cidades grandes, um dos fatores que pode diminuir a utilização de ônibus é o fato de haver maior oferta de empregos cujo salário é relativamente maior”, afirma Terrabuio.

Qualidade
Mas para que uma cidade possua um sistema de transporte coletivo de qualidade, que atenda às necessidades da população, suprindo também os interesses das empresas privadas responsáveis pelas frotas de ônibus, é necessário um planejamento adequado de gastos e lucros, que envolve as Prefeituras.

“Caso isso não aconteça, problemas como ônibus lotados, passagens excessivamente caras e veículos coletivos em péssimas condições de uso podem aparecer, como já vem acontecendo”, afirma o autor da pesquisa.

As cidades maiores, como a própria São Paulo, sofrem menos com essa situação. De acordo com o autor, elas já possuem um aparato financeiro e administrativo mais apurado, capaz de investir em pesquisas caras e trabalhosas que podem auxiliar nesses planejamentos.

Segundo o economista, a fórmula apresentada na pesquisa é justamente uma solução para as cidades menores, como Araraquara, São Carlos, Jaú e São José do Rio Preto (interior de São Paulo), que não têm recursos suficientes para solicitar pesquisas tão “sofisticadas”. Essas quatro cidades foram as pesquisadas por Terrabuio.

A partir de seu trabalho, chamado Análise da demanda por transporte coletivo em quatro cidades médias do estado de São Paulo, Terrabuio destaca o quanto os dados utilizados para se chegar aos números e variáveis da fórmula descoberta são acessíveis, considerando ainda que o método leva em conta as especificidades da cidade que o utilizará.

“Qualquer pessoa pode entrar no site do Denatran, ou do IBGE. São dados desses órgãos que usamos na fórmula. É uma alternativa mais barata, que pode ajudar muito”, destaca.

A pesquisa, orientada pelo professor Antonio Clóvis Pinto Ferraz,do Departamento de Engenharia de Transporte, foi defendida em dezembro de 2010.





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