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Cirilo Braga
Terça-Feira, 15 de junho de 2010  Tamanho da letra: A A A

Coluna do Adu consagrou um novo estilo

Vereador Catharino e Presidente Lineu Navarro entregando título de Cid. Ben. ao Prof. Aduar no último dia 15 de Maio (crédito-Câmara Municipal)
Vereador Catharino e Presidente Lineu Navarro entregando título de Cid. Ben. ao Prof. Aduar no último dia 15 de Maio (crédito-Câmara Municipal)
Quando aceitou em 1966 a sugestão da cronista social Anita Censoni, a Tânia, e começou a escrever em jornal , Adu tomou uma decisão que iria marcar a sua vida. Seria um caminho do qual jamais se desviaria o dentista que antes abraçou o magistério.

Adu mantinha uma coluna de crônicas na página direita da página 2 do jornal “A Folha”, intitulada “Sabe lá o que é isso?” Ali desfilava sabedoria e lançava seu olhar crítico sobre o panorama da época, driblando com inteligência e sagacidade as conhecidas restrições à liberdade de imprensa que então vigorava. O professor tinha o que dizer e o fazia com seu inconfundível toque de classe.

Em 1973 os registros sociais, à moda de Tavares de Miranda e Ibrahim Sued, ganharam o reforço de sua pena. Nascia a “Coluna do Adu”, que inaugurou um novo estilo, ao mesclar os anúncios com as notas, informações e toques opinativos. Assim a coluna se viabilizava e ganhava vida quase como um suplemento dos periódicos. “O Diário”, “A Cidade”, “A Tribuna” e “Primeira Página” estamparam a coluna ao longo dos últimos 37 anos.

Quase como uma revolução silenciosa, a coluna expressou seu espírito igualitário, dando vez a pessoas de diferentes classes sociais. Do garçom ao empresário, do frentista ao engenheiro, do balconista ao professor: o são-carlense se via no espelho e à própria cidade.

“Quando me perguntam o que sou neste jornal, a bem da verdade, respondo: Nada! Apenas um simples colaborador participando da retaguarda de uma grande equipe”, escreveu ele certa vez. Acrescentou: “Não sendo jornalista, político, sociólogo ou economista e nem radialista, cabe-me ficar atrás dos grandes valores da casa, procurando seguir (feliz) o meu destino de simples escrevinhador”.

E feliz seguiu.

Deixou a imprensa, o magistério e a odontologia um pouco mais pobres sem sua presença, mas ao mesmo tempo fortalecidos com seu exemplo. (C.B.)
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